sábado, 6 de novembro de 2010

Gota. Gotas. Temporal.

O tempo passou e olha quem está aqui, há um dia de um ano depois, a Encantada Desencantada pela enésima vez vem visitar o nada. Por estes tempos, onde ela olhava, via luz em cada passo, até que o próximo passo brilhou e apagou repentinamente e depois repetidamente até que apagou de vez. Passada as dores do quase parto, ela jura que cresceu até ver outra luz no fim do túnel. Pensava que tudo era óbvio e simples até ver a parede e a parede tinha espelho e ela se viu de novo. E não gostou do que viu. Porque esperava que haveria algum reflexo além do dela, mas não tinha, assim como nunca teve. Por que então se sente sem eco se o que sempre ouviu foi a sua própria voz? Se sempre o que enxergou foi o que quis ver? Ela quer a tosse para se desculpar pela voz, a falta do colírio para culpar o cisco. Em desespero por mais uma resposta, ela desiste e olha o espelho com calma. Reconhece que os corretivos facias serão necessários sim, pelo menos a pele poderá ser preservada por mais algum tempo, uma vez que os ossos se recobrem de melancolia, de um quase desisto. Homeopático, mas funcional. De extremos, ela observa da janela. Esteve com o analista e tinha a receita na mão. Mas mais uma vez achou que guardá-la entre livros seria o melhor remédio.

Cadê a receita que estava aqui?? Letra de médico ninguém entende!

E se sente de novo aliviada por mais uma desculpa, e com isso ganha mais algum tempo.

Ou pensa que ganha.


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