sábado, 6 de novembro de 2010

Gota. Gotas. Temporal.

O tempo passou e olha quem está aqui, há um dia de um ano depois, a Encantada Desencantada pela enésima vez vem visitar o nada. Por estes tempos, onde ela olhava, via luz em cada passo, até que o próximo passo brilhou e apagou repentinamente e depois repetidamente até que apagou de vez. Passada as dores do quase parto, ela jura que cresceu até ver outra luz no fim do túnel. Pensava que tudo era óbvio e simples até ver a parede e a parede tinha espelho e ela se viu de novo. E não gostou do que viu. Porque esperava que haveria algum reflexo além do dela, mas não tinha, assim como nunca teve. Por que então se sente sem eco se o que sempre ouviu foi a sua própria voz? Se sempre o que enxergou foi o que quis ver? Ela quer a tosse para se desculpar pela voz, a falta do colírio para culpar o cisco. Em desespero por mais uma resposta, ela desiste e olha o espelho com calma. Reconhece que os corretivos facias serão necessários sim, pelo menos a pele poderá ser preservada por mais algum tempo, uma vez que os ossos se recobrem de melancolia, de um quase desisto. Homeopático, mas funcional. De extremos, ela observa da janela. Esteve com o analista e tinha a receita na mão. Mas mais uma vez achou que guardá-la entre livros seria o melhor remédio.

Cadê a receita que estava aqui?? Letra de médico ninguém entende!

E se sente de novo aliviada por mais uma desculpa, e com isso ganha mais algum tempo.

Ou pensa que ganha.


...

sábado, 7 de novembro de 2009

Semente.

Onde estão os problemas dela que sumiram? Ela acredita piamente que não tem problemas e sim pedrinhas na sandália. Ela é assim, leve, lisa e solta e acha que tudo é fútil. Não é para menos. Ela mora em um País onde Artistas são desconhecidos e qualquer um se torna Ilustre se optarem por um espaço curto de tempo, viver em um confinamento assistido. O preço está na etiqueta, no carro, no sofá que ela senta. Já aprendeu à não questionar mais, enjoou e se sente mais velha, com menos disposição e saco para tudo e todos. Certamente não odeia a Vida, muito pelo contrário, inté tem medo de morrer! Mas acha pouco demais o cardápio do dia. Tem salmão na geladeira e preguiça para descongelar, o miojo é rápido e alcança rapidamente seu objetivo, sem delongas. Ela não fala do prato feito e sim do resultado da semente, do plantio e do cultivo. Da cara suada e queimada do sol, do esforço e da recompensa. Fala do carregador de caixas e do motorista do caminhão. Da fila do supermercado e da cara desesperançada da atendente.
Da nota na mão. Do que ela fala então?
Fala da espécie, nome chique dada ao dinheiro, “em espécie”... Tem outro nome também, Mamom. Dizem que é um deus que exige fidelidade, entrega. Como subordinados, ele inspira o próximo sonho ou a falta dele. Ela ri, senta com tolos e se vê na Idade Média, onde bocas abertas riem do nada, da desgraça, o bocejo da sesta...
No entanto, está desarmada e se sente bem com a rotina. Pede calma e sossego. Pede mais tempo para envelhecer mas sabe que nunca vai crescer. Sempre vai querer pular amarelinha, voltar e olhar para a Mãe. Sabe o quanto é precioso o simples, não quer desafios mas aprendeu à lidar melhor com as mudanças. Talvez ela tenha crescido e abandone de vez os corretivos faciais. Talvez ela mude e queira sentir o cheiro da espécie. Pode até ser.

Mesmo assim, o valor para ela sempre estará na semente.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

VENTO NA CARA

MAIS UMA ESTRESSADINHA DA INTERNET...
ESTOU NERVOSA:

AARGH!!!!!


NÃO QUERO NADA HOJE, SÓ VENTO NA CARA!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Homo Sapiens de volta ao Planeta dos Macacos.


Morremos ou matamos pessoas que acreditávamos que fossem passíveis de nosso amor e admiração porque concluímos que aquela ou aquela pessoa não faz nosso “tipo”. Limitados com exatas e intolerantes frases prontas, certos de nossos prematuros veredictos sentenciamos: Você não serve para mim! De posse da sentença, partimos para a pena de morte: tiro na cabeça, eliminando uma existência deletando números de telefone, contatos de email, apagando fotos ou ignorando por completo o que quer que tenha acontecido. Pior que isso é nos espantar com um Ludenbergh da vida! Você não me quer? Então morra! Deveríamos esperar mais de um ser humano racional uma atitude irracional? Qual o motivo do choque se fazemos o mesmo? Assassinamos sentimentos ou lembranças e dessa forma seres humanos deixam de existir em nossas vidas, simples assim, como num num passe de mágica, sem dó nem piedade. Desta forma, de tempo em tempo, pessoas passam, relacionamentos vão e vem como uma leve brisa soprada ou um tornado que na maioria das vezes deixa rastro de destruição. O consolo está em saber que tanto a chuva fina como a chuva forte vai passar! Porque? Por que não permitimos o simples "viva e deixe viver". Já me perguntei quantos já matei ou por quantos fui dada como morta... Ou será que nos alienamos à tal ponto que nos igualamos aos animais "irracionais", que somente agem por instinto farejando ciclos de cios? Suprindo necessidades imediatistas e egoísta prosseguimos, sem preocupar com o dano, na invasão na vida do outro... Pobre de nós, animais "racionais" em extinção que ainda acredita ser necessário o partilhar com o outro da mesma espécie o seu viver e enfim permitir que se cumpra a profecia do crescei e multiplicai (aborte a multiplicação caso ocorra ou previna-se do horror do seu próximo educadamente). Em rumo à evolução seguimos à passos de tartaruga, para quem sabe um dia chegar onde sequer sabemos onde queremos de fato chegar... Será que ainda possa existir amor em tudo isso? Ou foi Deus que errou ao nos sentenciar com uma necessidade real de parceria pois sabia que a jornada seria difícilmente dura de ser seguida sozinha? Fica então a questão> o de se permitir ou o de se excluir. Na dúvida, vá para as montanhas e por não ter opção opte por ficar sozinho ou desça ao asfalto e se alimente de carne humana até não poder mais, mas mantenha-se em forma! Elimine calorias e frustações num deserto subindo lentamente degraus da esfinge do desapego, do fútil , do vazio, expiando culpa curtindo o calor de uma solidão insana e finalize seu purgatório até que a morte mantenham todos separados para todo sempre, amém...

Sade, me diga
O que é que você procura?
O certo ou o errado?
A virtude da voz?
Sade, me Diga, por que o evangelho do mal?
Qual é a tua religião?
Onde está a tua fé?
Se você é contra Deus, você é contra o homem
Sade, me Diga, por que sangue por prazer?
O prazer sem amor?
Não existe mais nenhum sentimento na fé do homem?
Sade, você é diabólico ou divino?
Sade, me Diga...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

TIME


Tinha tanto que dedilhar hoje, mais animada agora com meu blogg que finalmente aderi para "desanuviar" um pouco a mente cheia de tantos barulhos emocionais fui pega de surpresa. Cheguei em casa, tirei as sandálias e peguei o controle pra variar>> sapeando pelos canais à cabo, sem querer termino por ver um filme que já passava da metade. Filminho americano, sabe? Aquele bem romântico com o exato final feliz mas deixei rolar.
Mas me deparei ouvindo uma das música da trilha sonora que escancaradamente me pôs à frente do meu arquirival: O Tempo. Como agora de fato estou sem tempo, vou deixar que a letra fale por mim, que a música toque por mim e que o tempo se encarregue de fazer seu serviço no menor tempo possível, de preferência...



Pra ouvir quando sobrar tempo...


Time, where did you go?
Why did you leave me here alone?
Wait, don't go so fast
I'm missing the moments as they pass
Now I've looked in the mirror and the worlds getting clearer
So wait for me this time

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

À sombra da Lua







Bem que deveria existir (que certamente eu usaria) Protetor de Lua em noites como essa e assim me proteger dos suspiros que ela me gera. E olha que são muitos! Melhor não olhar pra cima, fingir que ela não está lá, grande e gorda como que me chamando para uma degustação. Sem dizer que ela anuncia um novo dia> você terá muito Sol amanhã Senhorinha, mude o protetor! Cansada desse monólogo onde só ela assiste o espetáculo e sem mãos aplaude com seu sorriso gentil e solidário (ou solitário?) meu fim de noite, cumprimento sua visita que é muito bem vinda mas que geralmente me faz me sentir tão gorda e branca como ela, apesar dos meus 49 kilos distribuídos em 1,56 de altura alternados em pequenos vasos nas pernas, celulite nas coxas envoltos numa pele rosada de uma paulista filha de baianos. Pareço ser filha do Sul mas minhas origens se perderam em miscelâneas Portuguesas que chegaram da Bahia à São Paulo mas nada disso importa agora. A Gorda tá lá fora e me espera dizer boa noite antes que eu feche as janelas do meu quarto com uma visão da cidade vista do décimo andar do prédio que moro. Como nem Cacharel teve a brilhante idéia de criar um produto tããooo necessário como esse, fico eu aqui, sentada à sombra, me protegendo da Lua...