sábado, 7 de novembro de 2009

Semente.

Onde estão os problemas dela que sumiram? Ela acredita piamente que não tem problemas e sim pedrinhas na sandália. Ela é assim, leve, lisa e solta e acha que tudo é fútil. Não é para menos. Ela mora em um País onde Artistas são desconhecidos e qualquer um se torna Ilustre se optarem por um espaço curto de tempo, viver em um confinamento assistido. O preço está na etiqueta, no carro, no sofá que ela senta. Já aprendeu à não questionar mais, enjoou e se sente mais velha, com menos disposição e saco para tudo e todos. Certamente não odeia a Vida, muito pelo contrário, inté tem medo de morrer! Mas acha pouco demais o cardápio do dia. Tem salmão na geladeira e preguiça para descongelar, o miojo é rápido e alcança rapidamente seu objetivo, sem delongas. Ela não fala do prato feito e sim do resultado da semente, do plantio e do cultivo. Da cara suada e queimada do sol, do esforço e da recompensa. Fala do carregador de caixas e do motorista do caminhão. Da fila do supermercado e da cara desesperançada da atendente.
Da nota na mão. Do que ela fala então?
Fala da espécie, nome chique dada ao dinheiro, “em espécie”... Tem outro nome também, Mamom. Dizem que é um deus que exige fidelidade, entrega. Como subordinados, ele inspira o próximo sonho ou a falta dele. Ela ri, senta com tolos e se vê na Idade Média, onde bocas abertas riem do nada, da desgraça, o bocejo da sesta...
No entanto, está desarmada e se sente bem com a rotina. Pede calma e sossego. Pede mais tempo para envelhecer mas sabe que nunca vai crescer. Sempre vai querer pular amarelinha, voltar e olhar para a Mãe. Sabe o quanto é precioso o simples, não quer desafios mas aprendeu à lidar melhor com as mudanças. Talvez ela tenha crescido e abandone de vez os corretivos faciais. Talvez ela mude e queira sentir o cheiro da espécie. Pode até ser.

Mesmo assim, o valor para ela sempre estará na semente.

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